Diário de uma Escrava (2016) de Rô Mierling

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Atenção

A resenha a seguir possui gatilhos.

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Olá, distópicos! Hoje a resenha será de uma obra com uma temática mais pesada. Se tiver estômago leia até o final. No Brasil, todo ano, 250 mil pessoas somem sem deixar vestígios. Desse total, 40 mil são menores de idade dos quais um terço são meninas destinadas a fins sexuais. Muitas não escapam ou são encontradas contando histórias terríveis; outras nunca mais são vistas com vida.

Laura era uma garota normal, tinha uma vida boa, família, amigos, namorado. Em um belo e fatídico dia, ela encontra Estevão, seu sequestrador. Ele a captura, aprisiona e, a partir deste momento, Laura sairia do céu para viver no inferno. Ela conta no diário tudo o que passou na mão do Ogro (como ela o chamava) durante mais de 4 anos de cativeiro. Conta com uma riqueza de detalhes absurda todos os abusos sofridos, físicos e psicológicos. Descreve com precisão cada puxão de cabelo, soco, chute, impressionando com tamanha violência praticada. Conta que foi estuprada de todas as formas possíveis, teve seu corpo violado, explorado e abusado. Foi aprisionada num buraco na terra embaixo de uma casa, sem luz solar, comida suficiente, higiene, conforto, vivendo como se fosse um bicho enjaulado. 

Tudo o que ela passou teve um impacto muito grande no psicológico dela. Seus pensamentos iam de ódio a aceitação muito rapidamente de tão perturbada que ela já estava com a situação. Sofre abusos diários, físicos e mentais, de alguém que diz amá-la e ser seu único e verdadeiro amor. Tenta de toda forma sair dali, mas agora ele parece estar mudando, sendo gentil… será que é o melhor momento para tentar fugir?

As narrações de Laura eram intercaladas com outros personagens, outras vítimas. E Estevão fez muitas vítimas entre crianças e adolescentes. Muitas garotas foram torturadas, estupradas incansavelmente até não aguentarem mais, mortas a sangue frio, enterradas como se fosse nada, em algum lugar distante para que nunca mais serem encontradas.

Acompanha-se a Laura em cada fase do desenvolvimento do Estocolmo, começando por: tentativa de fuga, negação, hesitação e, por fim, conformismo. Quando uma pessoa é isolada de tudo e passa a conhecer somente uma realidade, qualquer coisa que fuja da realidade, ainda que sejam coisas absurdas e tristes, já é um gatilho para um determinado ‘sentimento’ começar a crescer.

Geralmente, nos livros, a tão falada Síndrome de Estocolmo não é retratada de forma real, porque em grande parte das vezes, ela é romantizada. O sequestrador não é tão mal, muda pela mocinha, não faz aquilo porque quer.

Mas esse livro, gente…. ESSE LIVRO traz para vocês a Síndrome de Estocolmo em sua pura e verdadeira forma. Não tem nada de romântico. Não tem nada que justifique. É uma doença triste. É uma doença solitária.

De repente, o fato de o culpado ter feito algo que a separasse das demais não importa, porque a vítima passa a ver as ações isoladas do contexto.

 

  • “Ele me sequestrou? E daí? Pelo menos hoje ele não me forçou a nada”
  • “Pelo menos hoje ele não me esfregou com tanta força no banho”
  • “Pelo menos hoje eu comi uma comida decente, algo que não acontecia há anos”
  • “Pelo menos hoje, ele não me agrediu”

 

Com o contexto fora de cena, nessas atitudes, para quem está fora, são claramente ainda MUITO ABSURDAS, mas para quem está dentro? Não é tão simples assim. Essas atitudes passam a ser associadas como coisas positivas.

Sim, é triste né? A cada página que passava, meu coração se partia um pouco mais. Geralmente, quando leio, costumo fazer pausas e formar a cena na minha cabeça, mas nesse livro não fiz isso, porque se fizesse, minha mente não ia dar conta. Li direto, parando apenas para respirar de vez em quando, porque meu Deus, cada vez tenho mais medo de até onde pode ir a maldade humana.

Difícil falar de um livro como esse sem liberar algum spoiler, porque tem violência do início ao fim. É preciso ter um estômago muito forte para poder lê-lo até o final. Devo admitir, que mais de uma vez durante a leitura, cogitei parar a leitura. É um livro revoltante, porque, ao mesmo tempo que você se sensibiliza com a protagonista, tem também a vontade de pega-la e sacudi-la para ver se ela acorda e finalmente reage.

Não esperava que o livro acabasse como acabou, embora houvesse indícios do que poderia acontecer. Notei alguns furos e brechas na história e motivações bem rasas para justificar certas atitudes. Mas acredito que a leitura foi boa para colocar um sinal de alerta em minha cabeça.

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Era a primeira vez que ele dava vazão a todo o seu desejo sexual pervertido por anjos.

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Volto a repetir, se não tem um estômago forte, se não aguenta ver a “realidade” que muitas vezes é escondida por jornais, novelas e outros meios, não leia este livro. Ele nos retrata a verdade nua e crua de uma mente doentia, do egoísmo do ser humano ao pensar somente em si. Além do que o estupro e a violência física podem acabar fazendo, de como podem transformar uma vítima. Mas, tendo um estômago forte e nervos de aço, siga em frente e boa leitura.

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Rô Mierling é gaúcha, escritora, roteirista e antologista. Além de “Diário de uma escrava”, também é autora de “Contos e Crônicas do Absurdo“, “Íntimo e Pessoal”, “Quando as Luzes se Apagam“, “Pedaços de Mim”, “Cicatrizes da Escravidão” e muitos outros. Coordenadora em mais de quarenta coletâneas de contos nos mais diversos assuntos, entre o dramático e o sinistro, do paranormal ao crime sádico.

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Título: Diário de uma escrava
Autor: Rô Mierling
Ano de Publicação: 2016
Gênero: Focção
Editora: Darkside
Nº de páginas: 240
País de origem: Brasil

 

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12 thoughts on “Diário de uma Escrava (2016) de Rô Mierling”

  1. Caramba! Que sufoco! É uma realidade inimaginável. 250k desaparecidos por ano. É um número muito absurdo. Eu não teria estômago ou cabeça para ler essa obra. É muito pesada. Porém, de certa forma é bom saber que pelo menos esse livro não romantiza algo que é tão sério! Adorei a resenha! Não sabia que era obra nacional.

    1. Carolina Rozeira

      E pensar que esse numero assustador é somente no Brasil, é realmente uma obra p quem tem estômago pois é super densa, precisei ler tudo de uma sentada pq talvez nao conseguisse voltar p ela depois.

  2. Apesar de ser um livro curto, é bem pesado! O último mais pesado que eu li foi flores partidas, mas não sei se chega nesse nível! Eu fiquei um tempinho traumatizada, mas já estou pronta para encarar a próxima leitura do tipo. Adoro a editora Darkside!

    1. Carolina Rozeira

      Então eu to louca p ler esse livro, me falaram que esta super bom ! Darkside alem de uma edição impecável tb trouxe um debate super necessario.

  3. Sempre achei o livro lindo pela sua capa,mais agora sabendo do que se trata não sei se conseguiria ler,achei muito interessante e fiquei super curiosa,mais não sei se aguentaria,é um assunto bastante delicado,sério e real,mais a partir de hoje ele está na minha lista e com certeza algum dia ainda o lerei!E que ótima a sua resenha,você sabe como passar as histórias pra gente se interessar né kkkk

    1. Carolina Rozeira

      Apenas tome cuidado, como foi dito caso tenha algum problema não leia ou adie bastante. Mas a história é interessante tb por ter uma base real

  4. Estampado nos Livros

    Como eu respondi nos stories, não conheço o livro, mas pelo o que você escreveu parece ser algo bem pesado é importante. A gente vê muito disso, o bom é que como você diz não foca nesse romance. O ruim é quando a gente vê varias pessoas se apaixonando pelo romances com personagens com personalidades estranhos e que na vida real seria assustador e não bonito!

    1. Carolina Rozeira

      A autora traz de forma bem certeira que o “romance” não deveria ser considerado um, infelizmente tem muitos livros do gênero romance “romantico” que a maioria dos mocinhos são super babacas, o que é preocupante pois um jovem lendo isso vai achar que é isso que merece.

  5. Fernando Batista

    Fiquei muito interessado em ler a obra, as doses de realismo fazem muitas vezes pensar mais em nos casos ocorridos.

  6. Litera_amor1.0

    Nossa ? que livro, o tema é muito forte e super me interessa, que gratificante saber que escritoras nacionais retratam a realidade com tanta precisão. A história me parece um pouco com a de Natasha Kampusch. Já quero ler

    1. Carolina Rozeira

      Então, parece mesmo, ao final da obra a autora deixa diversos casos que ja aconteceram e que ela se baseou, infelizmente Natasha ainda teve uma escapatória…

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